Rússia – Diário das Montanhas https://diariodasmontanhas.com.br ES Wed, 21 May 2025 17:55:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://diariodasmontanhas.com.br/wp-content/uploads/2025/05/cropped-tumb-32x32.png Rússia – Diário das Montanhas https://diariodasmontanhas.com.br 32 32 Rússia usou Brasil como ‘fábrica de espiões’, diz New York Times https://diariodasmontanhas.com.br/russia-usou-brasil-como-fabrica-de-espioes-diz-new-york-times/ https://diariodasmontanhas.com.br/russia-usou-brasil-como-fabrica-de-espioes-diz-new-york-times/?noamp=mobile#respond Wed, 21 May 2025 17:55:11 +0000 https://diariodasmontanhas.com.br/russia-usou-brasil-como-fabrica-de-espioes-diz-new-york-times/

Ao longo dos últimos anos, agentes espiões russos atuaram no Brasil fingindo ser cidadãos brasileiros. Uma operação da Polícia Federal, iniciado há três anos, investigou os mecanismos do esquema da “fábrica de espiões” no país. Os detalhes do caso foram revelados nesta quarta-feira (21) em reportagem do jornal americano The New York Times.

A chamada “Operação Leste” que mirou os agentes infiltrados do Kremlin foi conduzida pela mesma unidade da PF que também investigou os atos e envolvidos na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

O esquema envolvia uma ação de longo prazo para obter e consolidar novas identidades brasileiras – e os benefícios de uma passaporte do Brasil –, apagando os passados russos dos espiões.

O objetivo maior não seria diretamente espionar o Brasil, mas assumir a identidade de um cidadão brasileiro. Isso porque o passaporte brasileiro é um dos mais aceitos do mundo, com permissões para viagens sem visto em vários países. Outra vantagem para os espiões é o fator multiétnico brasileiro, que contribui para atenuar suspeitas.

Por meio de disfarces, os agentes russos poderiam ir para outros países, como Estados Unidos e nações do continente europeu e do Oriente Médio. Em prol de autenticidade, os profissionais russos abriram empresas no país e também assumiram relacionamentos amorosos com pessoas brasileiras.

Um a um, os espiões passaram a ser identificados pela contra inteligência federal nos últimos três anos, de forma silenciosa e metódica. O padrão usado pelos profissionais russos, com documentos falsos, foi o ponto de partida.

Alerta inicial

O caso inicial que acendeu o sinal de alerta das autoridades envolveu um comunicado da CIA – a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos –, em abril de 2022, meses após a invasão das tropas russas à Ucrânia.

A instituição norte-americana enviou mensagem à PF sobre a identificação de um agente disfarçado do serviço de inteligência militar da Rússia. Ele havia se inscrito para concorrer a um estágio no Tribunal Penal Internacional, na Holanda, no momento em que a instituição começou a investigar crimes de guerra russos na Ucrânia.

O homem identificado viajava usando um passaporte brasileiro em nome de Victor Muller Ferreira. O seu nome verdadeiro, segundo a CIA, era Sergey Cherkasov. A entrada dele na Holanda foi negada e ele retornou em um avião para São Paulo.

Sem provas, a PF não pode atuar para prendê-lo no aeroporto, mas o monitorou ao longo de dias. Os policiais conseguiram um mandado e o prenderam pela acusação de uso de documentos falsos.

Além do passaporte, Sergey Cherkasov tinha título de eleitor e até um certificado comprovando que havia cumprido o serviço militar obrigatório. A certidão de nascimento, no entanto, levantou suspeitas.

A PF identificou que Victor Müller Ferreira nunca existiu, mesmo com uma certidão de nascimento autêntica. Pelo documento, ele havia nascido no Rio de Janeiro em 1989, filho de uma mãe brasileira real que faleceu quatro anos depois.

Após localizar a família, a PF descobriu que a mulher nunca teve filhos e ninguém foi encontrado com o nome atribuído ao pai.

A partir daí, as investigações passaram a buscar “fantasmas” com passados e documentos inconsistentes semelhantes ao do russo Sergey Cherkasov. Certidões, passaportes e carteiras de motoristas e números de CPFs foram alvo de análises.

Outro caso identificado e investigado profundamente foi o de Artem Shmyrev, que usou o falso nome Gerhard Daniel Campos Wittich, um suposto cidadão brasileiro de 34 anos, proprietário de uma empresa de impressão 3D, no Rio de Janeiro.

Ele é casado com outra espiã russa, Irina Shmyreva, que esteve lotada na Grécia e depois exposta pelas autoridades gregas. Mensagens trocadas entre os dois ajudaram as investigações brasileiras. No final de 2022, no entanto, ele deixou o país antes que a PF o prendesse.

O russo viajou para a Malásia e, apesar de ter uma passagem de volta, nunca retornou ao Brasil. Ele deixou diversos dispositivos eletrônicos que continham dados pessoais, como mensagens de texto para sua esposa russa, além de US$ 12 mil (cerca de R$ 70 mil) em dinheiro em um cofre.

“Traição” e achados

Neste processo, ao menos nove agentes russos foram identificados. Ao menos dois foram presos e outros deixaram o Brasil – mas tiveram seus disfarces expostos.

Apesar de manter relações amigáveis e parcerias comerciais – até mesmo após o ataque russo à Ucrânia – as autoridades brasileiras teriam avaliado os casos identificados como uma traição e decidiram agir.

Sem conseguir prender a maioria dos agentes russos, que escaparam e deixaram o país antes de serem detidos, os investigadores decidiram acionar a Interpol e expor os espiões.

Os avisos continham nomes, fotos e impressões digitais dos agentes russos – incluindo Shmyrev e Cherkasov – para todos os 196 países membros.

Para ter o apoio da Interpol, as autoridades brasileiras alegaram que os russos estavam sendo investigados por uso de documentos falsos. De acordo com o New York Times, o Uruguai emitiu alertas semelhantes. Com as informações expostas, a atividade de espionagem dos agentes russos deve ficar mais difícil.

De todos os identificados, apenas apenas Cherkasov – do primeiro alerta enviado pela CIA – permanece preso. Ele foi condenado por falsificação de documentos e sentenciado a 15 anos de prisão, mas sua pena foi reduzida para cinco anos.

O governo russo alegou que ele era um traficante de drogas procurado e apresentou pedidos para a sua extradição. As autoridades do Brasil, no entanto, argumentaram então ser necessário que ele permanecesse preso por mais tempo para que a polícia pudesse investigar as suspeitas envolvendo tráfico. Por esse motivo, o russo continua preso em Brasília.

De acordo com autoridades consultadas pelo jornal americano, a investigação já abrangeu ao menos oito países, com informações vindas dos Estados Unidos, Israel, Holanda e Uruguai, além de outros serviços de segurança de países ocidentais.

A reportagem revelou e inclui imagens de seis russos que atuaram como espiões no Brasil: Yekaterina Leonidovna Danilova, Vladimir Aleksandrovich Danilov, Olga Igorevna Tyutereva, Aleksandr Andreyevich Utekhin, Irina Alekseyevna Antonova e Roman Olegovich Koval.

A CNN procurou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e o Itamaraty sobre o assunto e aguarda resposta.



Fonte:CNN Brasil

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Oposição mira Janja e questiona viagens da primeira-dama à Rússia e à China https://diariodasmontanhas.com.br/oposicao-mira-janja-e-questiona-viagens-da-primeira-dama-a-russia-e-a-china/ https://diariodasmontanhas.com.br/oposicao-mira-janja-e-questiona-viagens-da-primeira-dama-a-russia-e-a-china/?noamp=mobile#respond Mon, 19 May 2025 18:39:35 +0000 https://diariodasmontanhas.com.br/oposicao-mira-janja-e-questiona-viagens-da-primeira-dama-a-russia-e-a-china/

A oposição no Congresso apresentou nos últimos dias requerimentos que miram as viagens da primeira-dama Rosângela Lula da Silva à Rússia e à China. Os parlamentares questionam as despesas dos deslocamentos, a ida antecipada ao país russo e as declarações de Janja sobre o Tik Tok durante um jantar com o presidente chinês Xi Jinping.

Na Câmara, foram apresentados ao menos oito requerimentos sobre a viagem à Rússia e dois sobre a ida à China. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) também apresentou pedido de informações ao ministro Rui Costa, da Casa Civil, sobre a chegada de Janja antes da comitiva oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A maioria dos pedidos na Câmara direcionam questionamentos aos ministros Rui Costa, mas também há solicitações ao ministro José Múcio, da Defesa. Os requerimentos, no entanto, precisam do aval da Mesa Diretora da Câmara ou das comissões onde foram apresentados.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) também apresentou um pedido de convocação do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Amaro, para falar na Comissão de Relações Exteriores sobre o uso de uma “aeronave de grande porte”, da Força Aérea Brasileira (FAB), para o transporte de Janja e deu sua comitiva à Rússia.

Janja desembarcou em Moscou cinco dias antes da comitiva de Lula. Na capital russa, a primeira-dama brasileira visitou o Kremlin, sede do Executivo local, e participou de um evento sobre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. O tour de Janja também inclui destinos como o Teatro Bolshoi, o Museu Hermitage e a Catedral do Sangue Derramado.

Polêmica sobre Tik Tok

Na semana passada, Lula saiu em defesa da esposa sobre o apelo de Janja a Xi Jinping sobre os efeitos e a necessidade de regulação do Tik Tok. Como a CNN mostrou, o presidente se irritou com o vazamento do ocorrido.

Em discurso nesta segunda-feira (19), na Abertura da Semana Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, Janja declarou que, mesmo não sendo parte do protocolo, não irá se calar sobre o tema.

“A minha voz vocês podem ter certeza que vai ser usada para isso. E foi para isso que ela foi usada na semana passada quando eu me dirigi ao presidente Xi Jinping após a fala do meu marido sobre uma rede social”, disse no evento.

“Quero dizer que eu, como mulher, não admito que alguém me dirija dizendo que eu tenho que ficar calada. Eu não me calarei quando for para proteger a vida das nossas crianças e dos nossos adolescentes”, afirmou.

Sobre a ida à China, um requerimento do deputado Gustavo Gayer propôs uma “moção de repúdio à conduta da primeira-dama” no jantar com o presidente chinês. O documento foi apresentado na Comissão de Relações Exteriores da Casa e ainda não foi votado.

Na mesma comissão, um pedido do deputado André Fernandes (PL-CE) questiona o ministro da Casa Civil sobre as declarações de Janja e a suposta defesa de “mecanismos de controle sobre conteúdos disseminados por influenciadores de direita nas redes sociais, com ênfase no TikTok”. A iniciativa ainda não foi pautada.

Alvo frequente

A primeira-dama é alvo frequente da oposição no Congresso. Em abril, a pedido da Casa Civil, a Advocacia-Geral da União (AGU) estabeleceu orientações sobre a atuação do cônjuge do presidente da República em compromissos oficiais.

Conforme a AGU, o cônjuge do presidente, em sua atuação de interesse público, apresenta natureza jurídica própria que decorre do vínculo civil mantido com o chefe de Estado e de governo. Além disso, o órgão reconheceu o “papel representativo simbólico de caráter social, cultural, cerimonial, político e/ou diplomático em nome do presidente”.



Fonte:CNN Brasil

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