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Katia Stocco Smole: “Quem avalia demais não tem tempo de dar aula” | Tribuna Online

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Katia Stocco Smole falou sobre o ensino da matemática no Brasil




|  Foto:
Kadidja Fernandes/AT












“Quem faz avaliação demais não tem tempo de dar aula”. Com essa frase, a doutora em Educação Katia Stocco Smole falou sobre a forma como o Brasil tem lidado com o ensino da matemática, com avaliações, e fez um alerta relacionado aos desafios diante das defasagens da aprendizagem.












Katia, que é referência no ensino da matemática, foi a palestrante convidada para o Meeting Tribuna de Educação, realizado na quarta-feira (23), pela Rede Tribuna, no Cerimonial Ferrari, no bairro Santa Lúcia, em Vitória.
















O evento reuniu mais de 600 pessoas, entre educadores, gestores, entusiastas da educação, além de autoridades.















Entre os presentes estava o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, além de representantes de secretarias de educação estadual e municipais e de escolas particulares.















Com o tema “Pensamento Matemático como base para transformar a educação”, Katia Smole revelou um cenário preocupante: o déficit de aprendizado, ao longo da vida escolar, leva estudantes a chegarem ao final do ensino médio com 5% deles sabendo a matemática que deveriam ter aprendido.









“Precisamos pensar o que temos que ensinar, para quem vamos ensinar e como vamos ensinar. O material didático e a prática dos docentes precisam estar envolvidos nisso. A avaliação é um grande balizador, mas temos que pensar um pouco, porque estamos fazendo muita avaliação. As crianças não têm tempo de aprender”, destacou Katia, arrancando aplausos dos participantes.

















Ela ressaltou que é favorável a avaliações, mas muitas vezes os alunos e os professores ficam focados apenas nos dados.









“A gente precisa criar condições para que o pensamento matemático floreça, sem o medo”.















Como exemplo, ela mostrou um vídeo de crianças pequenas, entre 5 e 6 anos, aprendendo a matemática, de forma tranquila e confiante, sem medo de errar.















“O problema que temos hoje é que as crianças vão perdendo essa confiança nelas mesmas, na escola, na capacidade delas de aprenderem matemática com o tempo. Quando criancinhas, elas discutem, aprendem, sem ninguém chamar a outra de burra. Isso favorece pensar matematicamente, nos faz crer que somos capazes. Por que, a medida que crescem isso muda?”.









Ela destacou que todos nascem com a capacidade de aprender. “Saber matemática não pode ser sorte. Todos podem e têm o direito de aprender”.







Perfil







Katia Stocco Smole









É ex-Secretária de Educação Básica do MEC.















Tem mais de 20 anos de atuação na área de educação.









É doutora e mestre em educação com área de concentração.









Autora de diversas publicações, Katia é referência na área de ensino de matemática e suas tecnologias.







O que ela disse sobre…







Educação infantil









“É preciso ensinar matemática desde a educação infantil. Existem pesquisas mostrando que, quando se faz um trabalho com habilidade numérica desde cedo, esse sucesso perdura na escola por muito tempo. A gente está achando que, primeiro, precisamos alfabetizar para depois ensinar matemática. Mas existe uma surpresa: as crianças podem pensar matematicamente sem serem alfabetizadas”.







Erro









“A gente precisa transformar o que acontece em sala de aula. A sala de aula hoje é muito chata. Desculpa, mas é isso. Já tem estudos que mostram que algumas práticas pedagógicas fazem a diferença. Por exemplo, valorizar o erro. Não tem problema errar. As crianças pensam mais matemática quando elas resolvem questões se arriscando a errar, do que aquelas que dão uma resposta automatizada. É bom ter a automatização, mas é preciso criar formas diferentes, resolver colaborativamente problemas e ter desafios que conectem com a realidade”.







Aprendizado cumulativo









“O aprendizado é progressivo e acumulativo. Eu preciso aprender hoje, aprender este ano mais do que aprendi no ano anterior e menos do que vou aprender no próximo ano. A neurociência diz que temos janelas de aprendizagem. Ao final do 5º ano, o aluno precisa ter aprendido aritmética e, ao final do 9º ano, precisa ter aprendido os fundamentos da álgebra. São duas janelas inegociáveis”.







O que eles dizem


























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Reprodução/Jornal A Tribuna





























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Reprodução/Jornal A Tribuna





























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Reprodução/Jornal A Tribuna












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Fonte:Tribuna OnLine

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